João R. Ripper – Trabalho Escravo

Conteúdo adicionado no dia 10/10/2014.

O ensaio fotográfico que apresento mostra trabalhadores em situação escrava ou degradante e em condições de trabalho muitas vezes desumanas. Está aí parte do trabalho que ando documentando desde o início de minha profissão de fotógrafo.

Fotografo essencialmente a vida e aprendo a entender como vivem com uma magia incrível a maioria das pessoas, muitas vezes chamadas de minorias e que os poderes da sociedade trabalham para deixar à margem dos direitos fundamentais do homem. A declaração Universal dos Direitos do Homem é certamente a obra de pensamentos e leis de defesa da humanidade mais desrespeitada no mundo, e ao mesmo tempo é a cartilha mais elementar pra existir caminhos de igualdade de direitos no mundo. No Brasil também estamo smuito longe de ver esses direitos respeitados.

Todos nós sonhamos e nossos sonhos inúmeras vezes se materializam em expressõe sartísticas que tem forma, tem imagens . O domínio de edição, de divulgação dessas imagens por poderes constituídos como o legislativo, executivo, judiciário, os meios de comunicação, fazem com que no imaginário coletivo da sociedade apenas sejam divulgadas determinadas imagens . O que não é divulgado não existe. O que é divulgado em excesso, super dimensionado, trabalha , muitas vezes incutindo medo na sociedade. Trabalhar constantemente que nas favelas as pessoas são potencialmente criminosas, exagerar a violência e caracterizar que as violências vem das favelas; trabalhar o pavor na sociedade formal, por exemplo. Isso é um crime, o crime da informação única, pois a violência primeiro chega às favelas, vem de fora. Não existem indústrias armamentistas dentro das favelas nem é lá que drogas são plantadas.

A forma como a violência é trabalhada leva a sociedade a ter posturas mais que reacionárias,as vezes fascistas e a aceitar que, por exemplo, existam os caveirões e os mandatos de busca coletivas onde para se prender um suspeito a polícia possa entrar em todas as casas de uma rua da favela. Imaginem isso acontecendo em qualquer rua de São Paulo ou do Rio de Janeiro, num bairro nobre. Talvez levasse a sociedade a uma revolução. Então como aceitamos ações assim em outras partes da cidade onde moram pessoas mais pobres?

As favelas precisam ser olhadas pela inclusão e não apenas pela ausência. As casas populares construídas pelos próprios moradores são um exemplo de solidariedade que vem diminuir o problema da habitação pra qual o Estado não encontrou solução. Enfim, acho que não se pacifica coisa alguma com violência. Diminuir a violência pede exercícios de paz e não de guerra.

João R. Ripper