HERANÇA COMPARTILHADA

Conteúdo adicionado no dia 12/09/2012.
“Há duas coisas que eu queria fazer. Eu queria mostrar as coisas que tinham que ser corrigidas e mostrar as coisas que tinham que ser apreciadas.” Lewis Hine.  Esta é a quarta edição do festival Herança Compartilhada. Em 2005, discutimos a questão africana; em 2007, a indígena; em 2010, a imigração do século XIX; e agora, em 2012, o tema gira em torno das imigrações recentes. Em todas elas houve uma ‘troca’ de fotógrafos entre Brasil e Estados Unidos. Neste, Marlene Bergamo foi a Nova York (EUA) e acompanhou famílias de porto-riquenhos, nicaraguenses, hondurenhos, chineses, coreanos no Bronx, Manhattan, Staten Island, Harlem. Por sua vez, Tyrone Turner veio a São Paulo e foi ao Brás, Glicério, Bom Retiro e Pari. Documentou angolanos, bolivianos, peruanos e coreanos. Ambos os fotógrafos, cada um com sua estética, e com o desafio de registrar atentamente como vivem os imigrantes contemporâneos, permitiu-nos perceber, por meio imagético, não só os outros, mas a nós mesmos e as diversas dimensões da nossa herança comum. A fotografia documental passou por diversas fases desde o início do seu desenvolvimento. Marlene e Tyrone trazem em suas imagens as influências de distintos períodos deste gênero. No primeiro momento, a fase da ‘construção de opinião’ e ‘testemunha’, no registro dos reformistas: Jacob Riis, final do século XIX, mostrando as condições de moradia em Nova York, e Lewis Hine, 10 anos depois, com as famílias de imigrantes que chegavam a Ellis Island, e a questão do trabalho infantil. Passam pelo ‘humanismo francês’, onde o senso de valorização da figura humana e o papel da solidariedade entre os povos é figura central, até a linguagem híbrida deste gênero da fotografia, que permeia as discussões da autenticidade, da representação, e da evidencia. Estas fotografias pretendem não apenas apresentar uma realidade existente, mas transcender e discutir questões de identidade, deslocamento e diversidade presentes na paisagem cotidiana, mas muitas vezes invisíveis. Cabe ao espectador decidir quais destas influências são mais fortes, quais podem deixar marcas, pois esta é uma das funções da fotografia, mover-nos, emocionar-nos, provocar a reflexão, onde a construção de um mundo mais justo, tolerante, pacífico e democrático seja para todos, inclusive para os imigrantes não documentados, para que eles tenham, desta forma, o pleno direito à saúde, ao trabalho e à educação de qualidade. João Kulcsár

Curador