Retratos, Diálogos da Identidade

Retratos, diálogos da identidade

O retrato é o gênero dominante na fotografia e tem sido reconfigurado desde os primeiros passos de sua invenção como meio de comunicação, em 1839. Aqui, podemos observar através das lentes dos fotógrafos Martin Parr, Paolo Pellegrin, Elliott Erwitt, Philippe Halsman, Bruce Gilden e Steve McCurry, distintas provocações, estilos, processos fotográficos e tecnologias vigentes que resultam nas múltiplas expressões da identidade que usufruímos do retrato em suas mais variadas vertentes.
Por meio da exposição – onde encontramos rostos anônimos e célebres –, permeamos duas conformações: o anonimato, que traz uma sensação de curiosidade e mistério enquanto transforma os rostos anônimos em presenças marcantes e misteriosas que resguardam um senso comum de pertencimento à cidade e sua selvageria, e os famosos, que nutrem uma aproximação nunca antes conhecida, perpassando atividades diárias que revelam uma certa intimidade. Além disso, também adentramos o mundo de retratos instantâneos de estúdios e turismo, que redundam a vulgarização de imagens comuns, sugerindo um álbum imaginário através da documentação dos aspectos da vida moderna.
Assim, o retrato tem aqui uma função multiforme: ao mesmo tempo em que vangloria, expõe a aleatoriedade de formas e composições que, ampliadas a um senso estético aguçado e único de cada artista, nos mostram mais do que uma representação. As imagens excedem seu caráter informativo, levando-nos ao espectro da criação e da excentricidade.
Philippe Halsman mostra se famoso ensaio Jump, onde apresenta personalidades como Grace Kelly, Salvador Dalí, Muhammad Ali, Marilyn Monroe e Jerry Lewis em ação; Bruce Gilden revela imagens na ruas de Nova Iorque; Martin Parr apresenta seus autorretratos que simulam a popularização de retratos; Elliott Erwitt explora fotos de família; Steve McCurry exibe suas clássicas imagens coloridas na Ásia e Paolo Pellegrin expõe as personalidades do cinema, como Brad Pitt, Penélope Cruz, Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, entre outros.
Esse grupo de artistas dialoga com uma série de complexas interações entre a psicologia, a sociologia, a estética e interações que transcrevem apontamentos ideológicos e artísticos, delineando o indivíduo como personagem e mostrando o porquê, desde o seu início, a fotografia tornara-se um fenômeno de massa devido à sua popularidade e disseminação como comunicação, notícia, documento e arte.
João Kulcsár
Curador