Retratos de Mulheres por Mulheres

ELAS POR ELAS

As mulheres sempre estiveram ativamente envolvidas com a fotografia e o retrato desde
a sua descoberta, no século 19. O retrato, campo mais popular e complexo da fotografia,
carrega incertezas e ambiguidades, ao mesmo tempo em que explora questões de identidade.
Marcado por ser lugar de uma série de interações culturais, ideológicas, sociológicas e
psicológicas, nele nada é neutro em termos de linguagem, visualização e produção. Assim,
uma mulher, ao fazer uma fotografia de outra mulher, dá vazão a uma experiência além da
estética, provocando um ato político inerente ao ato de fotografar em si. Como se espelhos
fossem descobertos e redescobertos.
Ao pensarmos na perspectiva da tradição fotográfica predominante no campo, ainda muito
encontramos do que é apresentado pelo viés masculino: o modelo estereotipado que reforça
o status quo patriarcal, expondo as mulheres em atividades associadas à objetificação
do corpo. Aqui, nesta ocupação, as fotógrafas refletem uma pluralidade nas questões de
representação técnica, estética e ética, suscitando uma relação entre as obras e seus olhares
transformadores, que pensam a mulher no epicentro da cultura contemporânea por meio
de um entendimento crítico. Essa confluência tem ênfase na questão do gênero e de sua
representação, naturalmente.
A base aqui é a diversidade presente nas escolhas das artistas, originárias de regiões, etnias,
gerações e áreas da fotografia completamente distintas. O que emerge dessas discussões
são narrativas visuais que agem em sincronicidade, produzidas por fotógrafas engajadas na
democratização de um diálogo provocativo, onde é usada a força visual para dilatar outros
exemplos de identidades, questionando os códigos visuais vigentes.