Estética do (in)visível

Introdução ao projeto Imagem e cidadania: Fotografia para deficientes visuais

“Todos os fotógrafos precisam de um quarto escuro, devem revelar seus filmes em uma sala escura,” fala o fotógrafo cego esloveno Evgen Bavcar, “e toda a minha vida é uma sala escura, eu sou uma sala escura, usando uma máquina por onde entra a luz. Por que não poderia fazer fotos? Isso não é uma provocação e sim um desejo interior de fazer imagens.”

Motivados por esse mesmo desejo interior de fazer imagens, de registrar os aspetos mais marcantes da vida como todos nós fazemos, os próprios usuários do Espaço Braille da biblioteca do Centro Universitário Senac chegaram aos seus professores de informática no começo deste ano para solicitar um curso novo, inesperado e até irônico à primeira vista: um curso de fotografia para deficientes visuais.

O que é Imagem e cidadania?

Fruto desta solicitação, Imagem e cidadania é um projeto de fotografia participativa com jovens e adultos deficientes visuais onde os alunos aprendem a usar a fotografia como meio de expressão criativa e inclusão social, comunicando suas percepções sobre o mundo e despertando consciência no público vidente sobre a realidade da comunidade cega.

Quando começou e em que contexto?

O curso Fotografia para deficientes visuais se tornou realidade em abril de 2008, como parte do projeto Imagem e cidadania, coordenado pelo professor João Kulcsár. Imagem e cidadania é um projeto que Kulcsár desenvolve desde 2004 em vários contextos, que tem por objetivo capacitar alunos do curso Bacharelado em Fotografia do Senac para dar aula de fotografia e alfabetização visual em projetos sociais de maneira sempre refletiva, consciente e crítica.

Atuando como educadores na prática de um determinado projeto, os alunos voluntários do projeto aprendem a preparar, conduzir e avaliar uma aula, ampliando ao mesmo tempo suas visões sobre as possibilidades da fotografia ao conhecer novas realidades e novos olhares. Como uma educadora do grupo falou na primeira aula este ano, “Minha expectativa é enxergar a fotografia não apenas com os olhos”.