Marc Riboud

O fotógrafo, andarilho do vento.
Há certos nomes que ressoam com a força de uma evidência e pessoas que nos dão vontade de amar os outros. Marc Riboud é uma dessas pessoas instigantes. Contador discreto, pudico e modesto, fidalgo dos tempos modernos, ele se expressa tanto com os olhos brilhantes de vivacidade, quanto com as fotos. Só ao ouvi-lo contar com incrível precisão suas viagens rocambolescas dos anos 60, é que entendemos melhor, por outros caminhos, a história contemporânea. Seu testemunho diferenciado oferece uma perspectiva e um aprofundamento especiais dos grandes eventos da atualidade e colecionam borboletas, com cuidado, prazer e paixão. Sua capacidade de se surpreender, seu amor pela vida, pelo

De Washington ao Vietnã, do Nepal às Índias, da China à África, ou no Brasil, ele colecionou as imagens como se próximo, aparecem na sua maneira de descobrir as culturas.

Nem por isso, é claro, devemos confiar cegamente na imagem. A ambiguidade, a dúvida, a ausência fazem parte dessa sinfonia inacabada da procura da verdade. Além do talento e do olhar certeiro de Marc Riboud, há sem dúvida um comprometimento, um complemento de alma, um "não sei quê" que faz a diferença: entre o artista e o artesão, Riboud faz parte da geração que deu uma nova dimensão à fotografia de imprensa. Com Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e George Rodger vivenciou a epopeia mágica da agência, sem abrir mão de sua independência. A Delegação Geral da Aliança Francesa no Brasil, a Embaixada da França, a Câmara de Comércio França Brasil, a Galeria Central e o Senac São Paulo têm o prazer de convidá-los para a retrospectiva de um homem que continua descobrindo o Brasil.
Yann LORVO, Diretor Geral da Aliança Francesa no Brasil

A imagem humanista de Marc Riboud
A Galeria Senac lapa Scipião já apresentou, desde 1999, importantes nomes da fotografia brasileira e mundial, como Claudia Andujar, Cristiano Mascaro, Sebastião Salgado e Maureen Bisilliat, e agora tem a honra de sediar a mostra de Marc Riboud. Nascido em Larm, em 1923, armou-se em engenharia, mas sua verdadeira paixão era a fotografia. Em 1930, começou a trabalhar como freelancere, dois anos depois juntou-se a Agencia Magnum, de Cartier-Bresson, Robert Capa e outros. A partir desse momento, começou a viajar para países como China, Índia e Vietnã com frequência, mostrando sua sensibilidade imagética por onde passava, O elemento humano e central em seu trabalho, apesar deste componente criar um dos seus dilemas fotográficos, a ponto dele mesmo afirmar: "Ficava dividido entre o medo de ficar próximo às pessoas e uma força que me empurrava para mais perto". Essa tensão se traduz em senso de equilíbrio, movimento e dinâmica e aparece em muitas de suas fotografias. Esperamos que os visitantes desta mostra possam se aproximar das imagens, apreciar a riqueza da composição e, acima de tudo, ver o humanismo que Marc Riboud desenvolveu em mais de 50 anos de carreira fotográfica.
João Kulcsár - Curador – jun 2011