Transver - Pinacoteca

Transver
fotografias feitas por pessoas com deficiência visual

O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Manoel de Barros


Esta exposição fotográfica encerra o processo do Curso de Fotografia para Pessoas com Deficiência Visual, desenvolvido em nove encontros entre agosto e outubro de 2015, por meio do Programa Educativo para Públicos Especiais do Núcleo de Ação Educativa (PEPE/NAE) da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
O projeto se concretiza com base na experiência acumulada por João Kulcsár em ações anteriores que buscavam pensar e produzir fotografia com pessoas com deficiência visual – iniciativa que teve início em 2008, com alunos do Espaço Braille do Senac-SP.
Os dez participantes do curso, sensibilizados pelas poesias de Manoel de Barros, pelos trabalhos de fotógrafos contemporâneos, pelas visitas à Pinacoteca e seu entorno, e pelo uso de diversos materiais multissensoriais, apresentam aqui suas maneiras particulares de se expressar e de representar sua convivência com o museu.
Certo ditado diz que uma imagem vale mais que mil palavras, mas também podemos pensar que uma imagem vale mil perguntas, e é o que tem acontecido quando enfrentamos o desafio de trabalhar com deficientes visuais que fotografam. Essa atividade provoca questões: como os deficientes visuais fotografam? Por que querem fotografar? Quando perguntados, afirmam que é pelas mesmas razões que todos fotografam: para guardar o momento, se expressar, compartilhar com os outros, suprir uma necessidade básica do ser humano de produzir e consumir imagens, enfim, para se sentirem participantes desta sociedade de hipervisibilidade.
Ao dispararem o botão da câmera, pessoas com deficiência visual propõem uma discussão além da técnica, estética e ética da fotografia, transformam o ato de fotografar num acontecimento político e, em nossa sociedade imagética, nos mobilizam a de fato ver estas imagens.
Para acompanhar cada uma das imagens expostas, visando dar acesso amplo à mostra, foram produzidas pranchas táteis, audiodescrições e textos em braille, disponíveis a todos. Além disso, ao lado de cada prancha tátil, por meio de um código QR, é possível acessar os vídeos com depoimentos de cada um dos autores aqui representados.
Antes de ver a mostra, convidamos você a parar, fechar os olhos, respirar, ouvir e tocar as fotografias produzidas para fruir e transver o mundo com a experiência intensa de outros sentidos.

João Kulcsár